
Glossário da Diversidade
Um mundo mais informado é um mundo mais justo.
Esta é uma iniciativa da Transcendemos para responder, de forma clara e responsável, às dúvidas mais comuns sobre Diversidade, Inclusão e Cultura Organizacional. Sem jargões, sem complicação, para que mais pessoas possam aprender, entender e avançar.
Não basta reunir pessoas de diferentes características; é preciso criar um ambiente em que todas possam contribuir e se desenvolver de forma igualitária.
Diferente da igualdade, que trata todas as pessoas da mesma forma, a equidade ajusta recursos e estratégias para garantir resultados justos.
Por exemplo, uma mulher negra enfrenta desafios diferentes de uma mulher branca ou de um homem negro, justamente por estar na interseção de gênero e raça.
Segundo o IBGE, nas pesquisas oficiais, as pessoas podem se autodeclarar como: brancas, pretas, pardas, amarelas ou indígenas.
- Brancas: pessoas que se reconhecem como brancas, com traços mais associados ao padrão caucasiano.
- Pretas: pessoas negras com tom de pele mais escuro (retinto). Por conta do fenótipo, geralmente enfrentam maior incidência de racismo direto.
- Pardas: pessoas negras com tom de pele mais claro. Podem ou não apresentar características físicas associadas à miscigenação, como combinação de cor da pele, traços do rosto e textura do cabelo. Algumas podem sofrer mais racismo; outras podem transitar socialmente com maior facilidade, sendo percebidas como “mais próximas” do padrão branco.
- Amarelas: pessoas descendentes de povos asiáticos (ex.: Japão, China, Coreia) nascidas ou residentes no Brasil.
- Indígenas: pessoas pertencentes aos diversos povos originários do Brasil. Segundo o Censo 2022, existem mais de 391 etnias e 295 línguas indígenas.
E o termo “negro”?
O termo negro não é uma categoria perguntada diretamente na coleta do IBGE, mas é utilizado para agrupar estatisticamente as categorias preta + parda.
Ou seja:
NEGRO = PRETO + PARDO (IBGE / Estatuto da Igualdade Racial)
Ser “negro” ou “negra” é também uma identidade política e social fundamental para compreender e medir desigualdades raciais no Brasil.
Não se trata apenas de atos individuais de preconceito, mas de barreiras sistêmicas que dificultam oportunidades para pessoas negras.
O racismo pode se manifestar de diferentes formas:
Racismo individual: atitudes ou comportamentos preconceituosos praticados por uma pessoa contra outra, com base na cor da pele ou origem.
Racismo institucional: políticas, práticas ou normas de instituições que criam ou reforçam desigualdades raciais, mesmo sem intenção explícita.
Racismo estrutural: conjunto de condições históricas, sociais e econômicas que mantém desigualdades raciais em diversos níveis da sociedade, favorecendo pessoas brancas e desfavorecendo pessoas negras e indígenas.
Esses conceitos estão interligados, mas não são iguais. Compreender a diferença ajuda a identificar como o racismo se manifesta e se mantém.
Preconceito: julgamento ou ideia formada sobre alguém sem conhecimento real da pessoa. No caso do preconceito racial, são estereótipos negativos sobre pessoas negras, reforçados pela cultura, mídia e educação.
Discriminação: quando o preconceito se torna ação, prejudicando ou excluindo alguém. Pode ocorrer de forma individual (ser ignorado em uma loja) ou institucional (falta de representatividade em cargos de liderança). A discriminação transforma o preconceito em desigualdade concreta.
Racismo: sistema de poder que mantém desigualdades baseadas na cor da pele, favorecendo pessoas brancas e desfavorecendo pessoas negras. É estrutural, se reproduz nas instituições, políticas, cultura e relações de trabalho, afetando acesso a oportunidades, educação, renda e reconhecimento social.
O termo mais recomendado é “pessoa com deficiência”, que coloca a pessoa antes da condição, reforçando que a deficiência não define sua identidade. Esse conceito foi definido pela Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006).
Evita-se usar expressões como “deficiente”, que rotula a pessoa, ou “necessidade especial”, que pode ser considerado um eufemismo e não reflete a diversidade das condições.
Portanto, sempre que possível, use termos como “pessoa com deficiência”, “pessoa com surdez”, “pessoa com baixa visão”, respeitando o princípio da linguagem inclusiva.
Usar óculos não significa, por si só, que você é uma pessoa com deficiência visual.
Por quê?
Porque a deficiência visual, segundo critérios nacionais e internacionais, envolve perdas permanentes da visão que não são totalmente corrigidas com óculos, lentes ou cirurgia. Ou seja, mesmo com correção, a pessoa continua tendo limitações importantes.
Quando alguém é considerado pessoa com deficiência visual?
De forma resumida, encaixa-se em uma dessas situações:
- Baixa visão: mesmo com óculos/lentes, a pessoa enxerga pouco, tem campo visual reduzido ou outras limitações que afetam atividades do dia a dia.
- Cegueira: perda total da visão ou percepção apenas de luz.
- Condições permanentes que não melhoram completamente com correção, como glaucoma avançado, retinopatia, degenerações, etc.
Então, na maioria dos casos, uma pessoa que usa óculos não é uma pessoa com deficiência visual.
Essa definição é usada no Brasil (Lei Brasileira de Inclusão – LBI, Lei n. 13.146/2015) e também segue padrões internacionais (como a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência).
Capacitismo é o preconceito ou a discriminação contra pessoas com deficiência, seja de forma direta ou por meio de barreiras invisíveis, físicas ou culturais. Trata-se de considerar que alguém é menos capaz por ter uma deficiência ou, no outro extremo, tratá-la como exemplo de superação. Incluir pessoas com deficiência exige atenção à acessibilidade, comunicação e oportunidades de desenvolvimento.
Etarismo, ou ageísmo, é a discriminação baseada na idade, seja com pessoas mais jovens ou mais maduras. No ambiente corporativo, isso pode se manifestar em limitações de promoção, treinamento ou participação em projetos.
Microagressões são comentários, atitudes ou comportamentos sutis (muitas vezes involuntários) que reforçam estereótipos ou excluem determinados grupos.
Embora possam parecer pequenas para quem não as vivencia, essas ações impactam negativamente o bem-estar e o senso de pertencimento das pessoas dentro da organização.
ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, ou seja, meio ambiente, social e governança. No contexto corporativo, envolve ações estratégicas que promovem sustentabilidade, responsabilidade social, diversidade e ética na gestão.
Dessa forma, podemos utilizar “mulher trans” ou “pessoa transfeminina” para se referir a alguém que foi designado homem, mas se entende como uma figura feminina. Já o termo “homem trans” ou “pessoa transmasculina” é indicado para tratar uma pessoa que foi designada mulher, mas se identifica com uma imagem pessoal masculina.
Pensando no significado etimológico, o prefixo trans- (oriundo do latim) significa “além de”, “para além de”, “o outro lado” ou “o lado oposto”. O termo é utilizado como um “termo guarda-chuva” e se refere a todas as pessoas com identidades trans: transexuais, transgêneros, travestis, pessoas não binárias, etc.
Ao nascer, uma pessoa é designada homem ou mulher de acordo com seu sexo. Se a pessoa, ao longo da vida, se entende/se identifica com o mesmo gênero atribuído ao momento do nascimento, então é cisgênera.
É importante dizer que, como as travestis se reconhecem como uma identidade feminina, devemos utilizar sempre os pronomes ELA ou DELA.
Contudo, vale a pena mencionar que os termos trans, transgênero e transexual podem ser utilizados tanto para identidades masculinas, quanto femininas. Já o termo travesti é utilizado apenas pessoas trans com identidades femininas. Desse modo, o artigo e os pronomes corretos são A travesti e ELA.
O termo “fobia” é usado para indicar medo, repulsa, desconforto ou ódio. Assim, LGBTfobia refere-se a atitudes, comportamentos ou sentimentos preconceituosos ou discriminatórios contra pessoas LGBTQIA+. Essas ações podem ser explícitas ou sutis, e manifestar-se de formas diversas, como violência, exclusão ou comentários ofensivos.
Outras variações comuns:
- Lesbofobia: discriminação contra mulheres lésbicas.
- Bifobia: discriminação contra pessoas bissexuais.
- Transfobia: discriminação contra pessoas trans.
No passado, era comum usar GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), mas hoje essa sigla é considerada desatualizada, pois não inclui todas as identidades e orientações.
Depois, passou-se a usar LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e mais), que é mais atual e reconhecida pelo público em geral. Alguns órgãos adotam LGBTI+, incluindo pessoas intersexo, e outras pessoas usam LGBTQIAPN+, que busca dar visibilidade a diferentes orientações sexuais e identidades de gênero.
O mais importante não é apenas a sigla escolhida, mas respeitar e reconhecer cada pessoa pela sua identidade.
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